Uma manhã comum em uma fazenda de ovelhas no estado australiano de Nova Gales do Sul se transformou inesperadamente em um evento de proporções mundiais. Durante uma ronda em seus pastos, o fazendeiro Mick Miners notou um objeto alto e preto saindo do chão à distância.
A princípio, ele pensou que fosse uma árvore atingida por um raio ou sucata de metal descartada por alguém. No entanto, à medida que se aproximava, ficou claro: aquela descoberta era tudo menos lixo comum.
Diante do fazendeiro, havia uma estrutura com cerca de três metros de altura, feita de um material composto preto. Sua superfície estava carbonizada e coberta por camadas de isolamento térmico, e o cheiro característico de metal queimado impregnava o ar. O objeto parecia tão incomum que lembrava uma cena de um filme de ficção científica.
Confuso com o que havia encontrado, Mick ligou para seu vizinho, Jock Wallace. Após examinar a misteriosa estrutura, Wallace o aconselhou a contatar imediatamente as autoridades de aviação australianas. Após descrever a descoberta, os especialistas recomendaram uma medida inesperada: entrar em contato com a NASA.
O conselho surpreendeu os agricultores. Eles não poderiam imaginar que um dia comum no pasto os levaria a uma conversa com representantes da indústria espacial.
Logo, os especialistas se lembraram de que, algumas semanas antes, moradores do sudeste da Austrália haviam ouvido um forte estrondo sônico e observado um rastro de fogo brilhante no céu. Na época, acreditava-se que os detritos espaciais haviam se queimado completamente na atmosfera. No entanto, o objeto descoberto provou o contrário.
O astrofísico Brad Tucker obteve fotografias da estrutura da Universidade Nacional da Austrália. Após estudar as imagens, ele foi até o local da descoberta. Segundo ele, à distância, o achado realmente se assemelhava a um tronco de árvore carbonizado, mas, após uma inspeção mais detalhada, ficou claro que se tratava de um fragmento de tecnologia espacial moderna.
A pista decisiva foi um número de série preservado em um dos painéis. Após a inspeção, os especialistas determinaram a origem da peça: era um componente da espaçonave Dragon da SpaceX, usada no programa de transporte de tripulação da NASA para a Estação Espacial Internacional. Durante a reentrada da espaçonave, parte da estrutura se separou, sobreviveu à reentrada e caiu na fazenda. Especialistas estimam que a velocidade do objeto durante sua descida atingiu aproximadamente 28.000 quilômetros por hora.
A descoberta despertou grande interesse entre os cientistas, já que tais eventos são extremamente raros. Trata-se de um dos maiores fragmentos de espaçonave descobertos na Austrália desde a queda de partes da estação Skylab em 1979.
Especialistas também observaram que o pouso do fragmento em uma área desabitada foi pura sorte. Se sua trajetória tivesse sido desviada em apenas alguns quilômetros, as consequências poderiam ter sido muito mais graves.
De acordo com acordos internacionais, mesmo após o impacto, tais objetos permanecem propriedade do estado ou da empresa que os lançou. Portanto, o fragmento recuperado pertencia oficialmente à SpaceX.
O artefato espacial incomum foi posteriormente colocado em exibição pública no Centro Australiano de Pesquisa Espacial.